Tuesday, 14 May 2013

A festa do mico, do panda, da onça...


Uns dias atrás o Tim virou e disse que tinha uma amiga querendo me conhecer. OK. Sugeri que ele a convidasse pra tomar alguma coisa com a gente. Certo.  Marcamos pra quinta feira, mas ela esqueceu. Se sentindo mal por ter esquecido, nos convidou para uma festa na sua casa, no sábado.

A casa era muuuito longe! Tínhamos que pegar um barco (ou metrô), depois um ônibus e ainda andar um bocado. Pois assim fizemos, pelo menos em parte. Andamos e resolvemos pegar o barco, que sairia mais cedo que o metrô. Nesse meio tempo, compramos duas bebidas no mcdonalds e colocamos nossa sidra dentro, já que aqui na Nova Zelândia não se pode beber na rua. Mas como já estávamos atrasados, resolvemos começar a festa ali mesmo.

Pegamos o barco, chegamos no local e quando o Tim resolveu ir ao banheiro, perdemos o ônibus! O próximo só passava dali a uma hora! Vai ver é por isso que o pessoal aqui não bebe na rua: pra não correr o risco de perder o ônibus, metrô, barco, ou cair da bicicleta.

Enfim, ligamos pra amiga do Tim que se dispôs muito gentilmente a ir nos buscar -  nossa vou ai pegar vocês! Não achei nem que vocês vinham! - Quando ela chegou, com uma amiga, surpresa! As duas de pijama! Aww – pensamos - a festa foi cancelada e não avisaram pra gente?

Antes tivesse sido isso.

Quando chegamos na casa, nos deparamos com a festa: umas 15 meninas todas vestidas em seus pijamas e camisolas, muitos deles com rabinhos de macaco, orelha de urso, barriga de panda e assim vai. Parecia um zoológico de bichinhos de pelúcia. Sinceramente nunca vi pijamas tão fofos e camisolas tão curtas em um mesmo lugar! Não sei o que me passou pela cabeça primeiro: sair correndo, me matar, matar o Tim, roubar o pijama de uma delas ou matar a amiga que nos convidou pra uma ‘festa do pijama’ só para meninas. Fiquei sem entender se o Tim era o amigo garanhão, o gato que todo mundo quer ter por perto, o amigo enrolado que a gente convida por educação já sabendo que ele não vai, ou o amigo que todo mundo achava que era gay e de repente apareceu com uma namorada.

Eu, que estava maquiada, de brincão, bolsão, cabelão, me sentindo um peixe fora d’água (que mico!), tirei meu cavalinho da chuva, engoli as vontades carnificinas e parti pra cumprimentar as meninas, toda cheia de dentes e com piadas do tipo: “Claro que a gente sabia que era festa do pijama! É que a gente dorme assim hahaha” (pense no ‘hahaha’ mais sem graça que você conseguir). Fazer o que,  quem não tem cão, caça com gato. Abusei da simpatia já que sair correndo não dava, matar alguém não dava e voltar pra casa não dava. Havia boi na linha.

Por volta de meia noite, chegaram 3 meninos, para a minha alegria. Não, não estou sendo injusta com o Tim, ele me basta. Mas em uma festa onde o seu namorado é o único homem, nunca fiquei tão feliz em ver mais um da raça por perto. Para minha surpresa nenhum deles estava vestido de bicho, só tinha um menino do pijama listrado, espírito de porco, que toda vez que ganhava um jogo gritava - “judeeeus!”.

A festa foi bem divertida apesar de tudo e durou até altas horas, quando todos resolveram trocar seus pijamas por roupas de festa pra ir pra cidade, de taxi. Dividimos o taxi com um grupo e ao chegar no centro, finalmente me sentindo normal por estar com roupas adequadas para o local, corri pra casa, pus meu pijama e dormi, provavelmente sonhando com um zoológico.


Depois dessa, acho que vou acabar comprando um desses.

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