
Viajar tem diferentes significados para diferentes pessoas. Mas uma coisa é certa: para a maioria, a viagem é mais focada no destino do que na própria viagem. Poucas pessoas vão arriscar pegar um trem de última hora e cair em um lugar sem plano algum, sem saber o que fazer, ir, ou onde ficar. Certo?...
Bom, se você me segue no instagram, provavelmente já sabe que até ontem eu estava em Budapeste, na Hungria. Uma viagem na qual eu decidi de última hora, mas que planejei (praticamente) tudo. Quando digo tudo me refiro à chegar lá com o albergue reservado, dinheiro contado e uma lista de coisas pra fazer.
No meu penúltimo dia por lá, comecei a me sentir um pouco desanimada, mas sem sabre bem o porquê. Afinal, eu estava na Europa, fazendo algo que eu adoro fazer. Mas estava cansada de andar a cidade inteira em busca dos pontos turísticos, que a gente "não pode perder!".
Naquela manhã achei na internet, por acaso, uma cidadezinha chamada Bokod, e decidi passar o dia por lá. Decidida, fui à recepção do albergue para perguntar a melhor forma de chegar no lugar.
A recepcionista, que até então nunca havia ouvido falar da tal cidade, fez uma pesquisa rápida no google e me disse, simplesmente, que eu não deveria ir pra lá. Ahhh, quem me conhece sabe que não é simples assim. Uma vez que eu coloco a ideia na cabeça, é muito difícil tirar. Insisti um pouco mais e disse que eu não me importava com o quão feio e pequeno o vilarejo era, eu havia decidido ir pra lá e pronto. Mas mais uma vez a moça me deu vários outros argumentos e me sugeriu três outras cidades que eram muito mais bonitas, com seus vários castelos, igrejas e lojinhas de souvenir. Agradeci, falei que iria seguir as sugestões que ela me deu e me sentei, pra descobrir sozinha como chegar na tal de Bokod, claro. É, eu sou cabeça dura mesmo. Pois eu já sabia que era uma cidade minúscula, "feia" e com coisas que provavelmente só interessavam a mim. Mas me chamou a atenção por algum motivo. Então, eu TINHA que ir.
Enfim, o tempo que gastei pra descobrir como chegar, foi exatamente o tempo de eu perder o ônibus, por 5 minutos! O outro era só quatro horas depois. Sentei pacientemente na estação, peguei o ônibus quatro horas depois e fui. No ônibus não havia nenhum turista, sequer alguém que falasse inglês. Achei ótimo!
Com muito custo, consegui arrancar do motorista o horário do ônibus de volta, que de acordo com ele, era só no dia seguinte. Yaaay! Eu já tinha o albergue reservado em Budapeste para aquela noite e não tinha lugar pra ficar em Bokod. Aliás, nem sei se eles têm hotel, porque albergue eu tenho certeza que não. Mas tentei não entrar em pânico. Eu havia visto na internet alguma coisa sobre um ônibus às 7 da noite, com conexão em outra cidade, então resolvi arriscar que esse era o horário certo. Resultado: saí correndo igual louca na beira da estrada (literalmente) pra chegar no lago que eu havia visto na internet, pois quando cheguei já eram 5 da tarde! Acabei nem chegando até onde eu queria, mas amei o lugar, por mais simples que fosse.
Tive apenas duas horas pra aproveitar (o que foi uma pena) e já corri pro ponto de ônibus, sem nem saber onde era, ou qual ônibus pegar. Quando finalmente achei o ponto, havia uma moça sentada. Eu perguntei se ela falava inglês e ela com um sorriso até a orelha, me disse que sim. "Minha salvação", pensei. Perguntei se ela sabia que ônibus eu tinha que pegar pra Budapeste e ela disparou a falar igual louca...em húngaro! hahahah. Virei pra ela e falei que eu não estava entendendo, aí ela rachava de rir e disparava a falar de novo, em húngaro. hahaha. Com muito custo, depois de meia hora, eu entendi que eu deveria ficar ali no ponto com ela. Pegamos o ônibus juntas e "conversamos" por quase uma hora e meia!!! Ela em hungaro e eu em inglês. Dessas uma hora e meia, a única palavra que ela falou em inglês, foi "saturday" e a única palavra que eu falei em hungaro foi "szia". Mas ela era tão alto astral e tagarela, que eu nem me importei. hahaha. Ela falou o que queria e eu falei o que eu queria e fomos assim a viagem toda, tagarelando e rindo da situação até a barriga doer.
Quando chegamos na outra estação, eu segui meu rumo e ela seguiu o dela. Simples assim.
Minha viagem acabou durando mais do que meu tempo em Bokod, mas foi uma das melhores que já fiz. Passando por paisagens lindas da Hungria, escutando música húngara no rádio do motorista e tagarelando aleatoriamente com a doida que não falava inglês.
Como alguém me disse uma vez, "se preocupar é uma perda de tempo, o universo se encarrega de tudo". E era bem isso que eu estava precisando. Me desconectar um pouco da correria e confiar um pouco mais no universo.
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